9. Homocisteína.
A hiperhomocisteinemia é um importante e independente fator de risco para DVC em vários grupos de pessoas com alto risco. Assim, o nível plasmático de homocisteína pode ser um marcador útil de risco cardiovascular. Estes efeitos deletérios da homocisteína incluem a disfunção endotelial, espessamento das camadas arteriais (íntima e média), enrijecimento da parede e atividade pró-coagulante. Muitas condições (idade avançada, sexo masculino, menopausa, tabagismo, ingestão grande de café e álcool), medicamentos (colestiramina, carbamazepina, teofilina, contraceptivos orais com estrógenos, metformina) e deficiências vitamínicas (principalmente de ácido fólico, vitamina B6 e B12) aumentam as concentrações plasmáticas de homocisteína (MANGONI & JACKSON, 2002).
A homocisteína causa disfunções agudas e crônicas no endotélio. Os mecanismos envolvidos incluem a síntese de peróxido de hidrogênio, formação de radicais superóxidos, diminuição da liberação de NO, aumento das interações entre o endotélio e leucócitos devido a uma maior expressão das CAMs e alterações do estado redox intracelular. Homocisteína prejudica a função endotelial de forma aguda in vitro e em modelos animais, assim como em humanos. Em suspeitos saudáveis de meia idade, o nível de homocisteína foi um importante indicador de disfunção endotelial, independente da idade, sexo, índice de massa corporal, pressão sangüínea, níveis de folato, vitamina B12 e colesterol (MANGONI & JACKSON, 2002).
Muitos estudos têm demonstrado efeito benéfico de terapias que diminuem os níveis de homocisteína (como o tratamento com vitamina B6, B12 e ácido fólico) na função endotelial (MANGONI & JACKSON, 2002).
A hiperhomocisteinemia pode causar o enrijecimento das artérias devido a proliferação de SMC, síntese de colágeno e alteração da composição de tecido elástico. Homocisteína também pode tornar o NO mais suscetível a inativação oxidativa in vitro. Uma vez que o NO contribui para diminuir o enrijecimento arterial, a redução de sua atividade pode levar ao endurecimento das artérias. A homocisteína pode apresentar atividades pró-coagulantes por inibição de várias vias, incluindo a expressão e atividade de trombomodulina (uma proteína fixadora de trombina, no sangue circulante, a trombina é um pró-coagulante que ativa os fatores V e VIII, mas o complexo trombomodulina-trombina ativa a proteína C) e diminuição de efeito anticoagulante mediado pela antitrombina III. Homocisteína também interfere com as propriedades fibrinolíticas da superfície endotelial devido a estimulação da expressão do gene do inibidor do ativador do plasminogênio (MANGONI & JACKSON, 2002).
Os efeitos deletérios da homocistéina sobre a função vascular e coagulação sangüínea nos dá uma explicação patofisiológica para o risco aumentado de morbidade e mortalidade cardiovascular associado com hiperhomocisteinemia. Terapias que levam a diminuição das concentrações de homocisteína podem resultar em proteção cardiovascular por melhorar a função endotelial, reduzir o espessamento das camadas arteriais, diminuir o enrijecimento arterial e possivelmente a atividade pró-coagulante (MANGONI & JACKSON, 2002).
Dados preliminares mostram que a alta ingestão de frutas e vegetais, grande fontes de folatos, está associada com menores taxas de AVC e DAC. Os efeitos protetores do ácido fólico e vitamina B6 também são corroborados por estudos prospectivos recentes .(MANGONI & JACKSON, 2002).